A ciência política no Brasil tem pouco mais de 50 anos de existência e já ultrapassou a sua fase heroica. Os primeiros programas e profissionais na área de ciência política no Brasil surgiram no começo dos anos 60 no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Belo Horizonte e Rio Grande do Sul (Forjaz, 1997). No que diz respeito à disciplinarização e institucionalização, a ciência política brasileira foi mais lenta do que as suas congêneres das ciências sociais e só se institucionalizou permanentemente nos anos 70 com a consolidação dos programas de pós graduação pioneiros no país. O programa da UFMG havia sido o primeiro estabelecido antes desse momento. Durante as décadas de 70 e 80, houve uma primeira expansão da ciência política no Brasil com a criação de programas de referência no interior de São Paulo com a Unicamp, na UNB e na região Nordeste com o programa de Pernambuco. Por fim, na última década, houve uma expressiva expansão da ciência política brasileira  em direção a todas as regiões e ao interior do país, com programas de pós-graduação no interior dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Ao mesmo tempo, a ABCP, criada em 1986, foi se consolidando e acompanhando este processo: hoje a ABCP conta com mais de mil e cem membros e 15 áreas temáticas.

Quando olhamos o processo de criação, expansão e consolidação da ciência política no Brasil do ponto de vista geracional, percebemos que a área não tem mais do que três gerações que ainda convivem entre si. Podemos perceber também que a área ainda não criou e nem consolidou a sua memória. Os textos disponíveis sobre a história e ou memória da ciência política no Brasil são poucos (Forjas, 1997; Lessa, 2011; Viana,1994; Trindade, 1974) abordam questões completamente específicas, tais como a origem de algumas tradições acadêmicas, a institucionalização do sistema de pós-graduação e a relação entre autoritarismo no Brasil e a institucionalização da ciência política. Claro que estas questões são muito relevantes, mas elas não permitem uma memória sistematizada sobre a formação da área e das suas preferências metodológicas e conceituais ao longo do tempo.